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quarta-feira, 9 de abril de 2014

O JUSTO LÓ?

Genivaldo Tavares de Melo.
Abril de 2014.

 

No começo da minha vida cristã, lendo e estudando a Palavra de Deus, nunca vi o sobrinho de Abraão, Ló, com bons olhos. A impressão tão negativa ocorreu por conta de algumas pregações cujos instrumentos sempre o descreviam de maneira contrária.

Mais tarde, eis que me deparo com um texto no novo testamento, de autoria do nosso irmão Pedro (2 Pd 2:7), que faz menção da destruição de Sodoma, exorta-nos sobre os falsos mestres e cita-o do seguinte modo: “... e livrou o justo Ló, enfadado da vida dissoluta dos homens abomináveis (porque este justo, habitando entre eles, afligia todos os dias a sua alma justa, pelo que via e ouvia sobre suas obras injustas).

Diante disso, até hoje penso em Ló, ou Lot, de forma mais parcimoniosa.

Bem! Quando lemos sobre a chamada de Abraão entendemos que o convite era apenas para o tio de Ló com muita clareza: “Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra e da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei”.

Sai da tua parentela.

Quando Deus chama alguém para sua obra, é para priorizá-la, deixar tudo e todos no sentido de abraçar a carreira proposta, sem qualquer comprometimento de relação familiar sob pena de sempre amarrar-se em lembranças. Com isto, não queremos dizer virar as costas de maneira total e definitiva.

No caso de Abrão, o futuro reaproximou as famílias quando teve que buscar uma noiva para Isaque.

O fato de Ló ter sido declarado justo na própria Palavra de Deus, não significa que, como todo ser humano, não tivesse defeitos no uso da sua natureza humana e pecaminosa.

É preciso ter em conta que nem todas as nossas fraquezas nos lançam no inferno, mas, são cobradas de maneira vigorosa e em muitos casos até com a morte, como temos exemplos mostrados em Atos 5 com Ananias e Safira e com o jovem aproveitador em 1 Co 5.3-4.

O cristão sensato não deve transgredir apostando na misericórdia do Senhor, pois, o inimigo de nossas almas, vive em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar.

A vida de Ló e os danos causados pela péssima escolha; a liberdade de escolher a direção a ser tomada para evitar os conflitos entre seus pastores de gado, deixaram transparecer o lado frágil da sua personalidade, que era egocêntrica,  descuidada e inconsequente. Ao ir morar nas campinas de Sodoma, logo ocupou uma casa dentro da cidade permitindo assim que sua mulher e filhas vivessem confortavelmente no ambiente pecaminoso da cidade.

Nós pagamos por nossas péssimas escolhas e não adianta reclamar depois.

O fato de Deus enviar dois anjos para tirar Ló de Sodoma e sua família antes da destruição da cidade mostra a complacência de Deus com nossas fraquezas e com nossas escolhas, o respeito com o nosso “livre arbítrio”.

A mulher de Ló é figura da pessoa inconsequente cujo coração foi totalmente dominado pelos hábitos de Sodoma. Deu no que deu! O Apóstolo João teve boa razão quando nos exortou:  “Não ameis o mundo nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” - 1 Jo 2:15. 

Que lição tiramos da história de Ló? Que qualquer de nós, cercados de fraquezas de uma ou de outra forma, não devemos nos ocupar em viver julgando as pessoas por seus atos impensados, mas, fazer como Abraão, interceder, sabendo que as misericórdias do Senhor, são a causa de não sermos consumidos, Lm 3:22.

Não devemos olhar para as pessoas como se todas as oportunidades lhes tivessem sido tiradas. Somente a morte risca para sempre as chances de reabilitar a comunhão com Deus.  

Mesmo em condições ruins, não devemos julgar por não sabermos o que se passa no coração e na alma de alguém que sinta não ter mais chances de viver. O malfeitor ao lado de Jesus, aproveitou muito bem, seus últimos momentos.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

OLHO GORDO - VOCÊ TEM MEDO?


Olho gordo é tão folclórico quanto Mula sem Cabeça, Saci-Pererê e outras figuras tradicionais e culturalmente conhecidas. Mais que um folclore, tem lá algum fundo de verdade e, sim, pode causar dano.

Pesquisa sobre o assunto afirma que Lao-Tsé (Taoismo 350 anos a.C.) e Confúcio (600 a.C.) já trataram desse assunto. 

E a Bíblia, diz algo a respeito do Olho Gordo?

Primeiro, é preciso entender o que significa “Olho Gordo”. É um sentido figurado metafórico e precisa revestir-se de um contexto, como segue:

Olho Gordo em senso comum é expressão para inveja e cobiça. Invejar e cobiçar são situações tratadas na Bíblia em  Ex.20:17 “Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo”.

Em tese, o Olho Gordo é desejar ardentemente algo, mesmo que isso seja um aparente prejuízo ao próximo.

Quando o patriarca Abraão propôs ao seu sobrinho Ló a separação e a escolha de um lugar para habitarem separados, a Bíblia diz: “E levantou Ló os seus olhos e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada... Então Ló escolheu para si, toda a campina do Jordão e partiu Ló...” Gn 13:10 e 11. Ló engordara seus olhos.

Temos que concordar que os olhos engordam, quando o coração e a alma são igualmente gordos, para desejar o melhor. Inclusive se prejudicar a outrem, ou seja, tal ação é própria de pessoas gananciosas.

A questão é: Olho Gordo, pega?

Não duvido de nada que pertença ao mundo invisível, Paulo, legítimo apóstolo do Senhor, declarou na carta aos Coríntios, que, Satanás se transfigura em anjo de luz e seus ministros em ministros da justiça ( 2 Co 11:14,15).

Os Magos do Egito conseguiram imitar alguns feitos de Moisés, para desacredita-lo diante de Faraó (Ex. 7:10). Conseguiram algumas coisas com suas ações místicas, todavia, não prevaleceram diante de Deus e de Moisés.

Quando Balaque, rei dos Moabitas, contrata Balaão, profeta pra lá de aposentado, para amaldiçoar o povo de Israel, em tempo algum a Bíblia declara a inexistência do poder das trevas, senão, a declaração eterna que “...Contra esse povo, não vale encantamentos...” (Nm 22 e 23).

Não posso ignorar que existem pessoas com poderes espirituais malignos, capazes de realizar um mau intento, pessoas invejosas, cujos olhos foram engordados pela cobiça. Não posso ignorar que conheci pessoas, crentes no Senhor, com medo dessas crendices, principalmente pessoas que se convertem, trazendo no seu coração temores por influências religiosas mal produzidas e que ainda não alcançaram uma libertação plena, pelo conhecimento da Palavra do Senhor.

“Não vale encantamentos...”. Quando experimentamos o novo nascimento, Jo 3:3 e entenda-se o novo nascimento não apenas pela regeneração, mas pela transformação absoluta para uma nova vida em Cristo, somos libertos de todos os temores produzidos por folclores, tradições religiosas ou mesmo por ações malignas.

Como pode o Olho Gordo, atrapalhar uma vida e produzir algum prejuízo?

Quando temos defesas fracas, desprezo ao hábito de leitura da Bíblia, se existe falta de oração e principalmente a falta de confiança em Deus. O Salmo 90 nos diz: “Nem um mal chegará a tua tenda”.

O Olho Gordo pode estar em toda parte. Pessoas altamente invejosas buscam por todos os meios atrapalhar a vida de alguém. O invejoso tem realmente um jeito de olhar que desestabiliza qualquer pessoa descuidada.

O Olho Gordo age sempre de maneira inescrupulosa. Além de cobiçar, usa de todos os meios para destruir alguém, atrapalha  uma caminhada de sucesso, mesmo que essa caminhada tenha a ver com o Evangelho e a chamada de Deus para uma vida ao seu serviço.

O Olho Gordo é a revelação da incapacidade, torna o seu portador em pessoa irresponsável. O ser invejoso e cobiçoso apela apela até para fofocas ou difamações, se entender que isso lhe trará algum retorno. O único regime para Olho Gordo é o exercício espiritual, buscar insistentemente satisfazer-se em Cristo, amar o seu próximo,  alegrar-se no sucesso alheio, buscando também o seu, pois, tudo é possível ao que crer.

São Paulo, novembro de 2012.

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