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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

I - COSTUMES E DOUTRINAS - PLANEJAMENTO FAMILIAR

Certamente terei que abordar este importante assunto, em etapas, para não cansar o leitor.

Considero-me feliz por ter tido a honra de ter ouvido centenas de pastores da nossa Assembléia de Deus ao longo dos anos e neste momento, presto homenagens, aos que ainda vivem e aos que descansam das suas obras. Pensei em citar alguns nomes porém, cometeria uma enorme injustiça pois a Assembléia de Deus sempre foi celeiro de grandes ensinadores. Ao ouvir tantas críticas aos nossos pais na fé por conta da maneira um tanto dura como conduziram a igreja, principalmente no tocante aos costumes envolvendo roupas, cabelos, uso de  televisão,  bicicleta, rádios entre outras.

Abro discussão para perguntar,  porque tudo isto aconteceu? E quais eram as bases bíblicas para esses procedimentos?. Sei de casos de pastores que carregaram profundos sentimentos de culpa e outros vivos ainda se ressentem desse passado. Não posso dizer que fui criado no evangelho por ter vivido uma parte da minha vida fora da igreja e somente aos 18 anos, ter sido chamado por Cristo porém, um tio não crente, havia dito em nossa casa, na época, com 14 anos que eu seria o único pastor da família como fora o meu avô. Para que vocês possam compreender, quando a televisão começou a alavancar  as vendas no comércio eu adquiri a minha primeira e logicamente por conta disso, fiquei uns oito meses encostado sem poder fazer uma oração porém, nunca me aborreci com meu sogro, meu pastor na época.

Quando a igreja condenava veementemente o planejamento familiar, eu ainda um jovem cooperador, aconselhava alguns casais a que tivessem cuidados. Não podia olhar para uma irmã, ainda nova, com aparência velha,  mal cuidada, carregando os filhos enquanto o marido, esticado no paletó e gravata andava na frente papeando com amigos;  também levava em conta que se um pastor não tinha disposição  suficiente para visitar uma família e ajudá-los a educar e alimentar seus filhos, também não tinham o direito de dizer-lhes que quem ousasse planejar a família,  estariam pecando contra Deus. Felizmente nunca me lembro que tenham associado o planejamento familiar com a possibilidade de salvação, apenas diziam que era pecado e quando um casal me abordava sobre se era ou não pecado, para não frustrá-los eu dizia que sim porém um pecado não contra Deus mas contra eles mesmos. Não ter filhos, correriam o risco de sentir falta destes na velhice. Lembrando o que diz os salmos 127 e 128 e as palavras de Paulo em I Tim 2:15 "Salvar-se-á todavia dando luz a filhos, se permanecer com modéstia na fé, na caridade e na santificação". Podíamos dizer que o planejamento familiar era um mal necessário, lembrando,  que vivemos numa sociedade capitalista, capitalismo selvagem.

Todos sabemos do impacto da revolução industrial na segunda metade do século 18, iniciado na Inglaterra e o drama das famílias que deixaram o campo para viver empilhados na metrópole. Hoje, paramos para ouvir educadores, terapeutas familiares e um cem número de pastores que bem, e outros mal, preparados, incursionam pelo labirinto da educação sexual e familiar, tirando proveito ($$$$) dessa área altamente rentável. Pelo menos os nossos pastores no passado, tudo faziam por amor e não pensem que eram tão ignorantes como querem parecer que tenham sido. Ocorre que a realidade era outra, o mundo passou por uma rápida transformação,  os problemas se avolumaram e os nossos pais andavam a pé, não conseguiram alcançar as mudanças.

Lembro-me que ainda jovem obreiro, fui visitar uma família que morava embaixo de uma escada, com trapos servindo de cama e 4 filhos. Ao redor, inúmeros outros, vivendo em casa de um quarto com uma boa prole e eu muitas vezes pensava comigo: a mulher não pode sequer dar um gemido, quantas panelas vazias na hora do almoço.

Hoje muitos pastores (Is. 34:2-4) que vivem com seus belos ternos, sapatos de cromo, nem sabem mais onde ficam as Lojas Garbo (talvez nem exista mais).  Não quero dizer com isto que um pastor deva se vestir mal. Sois inteligentes. Muitos desconhecem a realidade do nosso povo, da nossa gente. Pelo menos, os nossos pastores, pais na fé,  não tiravam a pele, a lã, o leite e as unhas das ovelhas como muitos fazem descaradamente na televisão e fora dela. 

A pouco tempo em um programa transmitido pela televisão,  aos sábados,  ouvi um pastor americano dizer que tinha se tornado o maior empreendedor imobiliário,  fiquei tão impressionado com a maneira de pedir recursos que disse comigo mesmo: Tenho que ir ao culto deste senhor com uma boa roupa de baixo, porque as calças se vão.

Mais uma coisinha: A internet deixou a televisão para trás anos luz, e como dá vontade de repetir o que nossos pais fizeram com relação a televisão. A internet suga para o seu interior, homens, mulheres e crianças; tem sido uma bênção como ferramenta de trabalho e pesquisa mas, uma maldição quando do outro lado, a criança, o jovem e até pessoas mais calibradas, são induzidas a prática de imoralidades,  pedofilia e crimes diversos.

Quanto a planejamento familiar,  os casais optam para ter no máximo dois filhos e não ouço qualquer pregador denunciando isto como pecado. Deus nos deu espírito de amor e compaixão, o nosso povo precisa ser amado para que aprendam a amar.

Quero finalizar esta primeira parte dizendo que pessoas desonestas sempre existiram em todo tempo, mas não era regra geral, havia mais comedimento.


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